Uso excessivo de telas aumenta os casos de miopia em crianças?

Uso excessivo de telas aumenta os casos de miopia em crianças? Entenda os riscos

A rotina das crianças mudou drasticamente nas últimas décadas. Se antes o tempo livre era ocupado com atividades ao ar livre, hoje a realidade inclui horas diante de telas — seja no celular, tablet, computador ou televisão. Com essa mudança comportamental, cresce também uma preocupação entre oftalmologistas e pais: o aumento dos casos de miopia infantil pode estar relacionado ao uso excessivo desses dispositivos.

Mas afinal, existe uma ligação direta entre tempo de tela e miopia em crianças? Vamos explorar o que dizem os estudos, os riscos envolvidos e o que pode ser feito para proteger a saúde ocular dos pequenos.

 

O que é miopia e por que ela tem aumentado?

A miopia é um erro refracional que provoca dificuldade de enxergar objetos distantes com nitidez. Isso ocorre quando o globo ocular é mais alongado do que o normal, fazendo com que os raios de luz se concentrem antes da retina.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a miopia já afeta cerca de 30% da população mundial e pode atingir até 50% até 2050, sendo classificada como uma epidemia silenciosa.

No caso das crianças, o problema é ainda mais preocupante, pois o olho ainda está em desenvolvimento. Mudanças estruturais precoces podem ter consequências a longo prazo, como o aumento da miopia alta — condição que eleva o risco de complicações sérias como descolamento de retina, catarata precoce e glaucoma.

 

O papel das telas no desenvolvimento da miopia

Diversos estudos vêm demonstrando que o uso prolongado de telas, especialmente de perto, está associado ao aumento do risco de miopia infantil. Isso não significa que a tela, por si só, causa miopia, mas sim que ela pode potencializar um ambiente de risco, especialmente em crianças geneticamente predispostas.

Evidências científicas relevantes:

  • Um estudo publicado no British Journal of Ophthalmology (Mirshahi et al., 2016) mostrou que crianças que passam menos tempo ao ar livre e mais tempo em atividades de visão próxima — como usar telas — têm maior incidência de miopia.
  • Segundo a American Academy of Ophthalmology (AAO), o uso prolongado de dispositivos digitais, especialmente em ambientes com pouca iluminação, pode acelerar o desenvolvimento da miopia, além de causar fadiga ocular.
  • A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) reforça que o uso de telas deve ser moderado e monitorado, sobretudo em crianças menores de 6 anos.

 

Como o uso de telas afeta os olhos infantis?

O problema não está apenas na luz azul emitida pelos dispositivos, mas também na forma como as telas são utilizadas. Entre os fatores que contribuem para o risco de miopia estão:

  • Foco prolongado em curta distância (smartphones, tablets).
  • Pouca exposição à luz natural (atividade ao ar livre é protetora).
  • Piscadas menos frequentes, o que leva à síndrome do olho seco.
  • Postura inadequada e ausência de pausas visuais.

O uso precoce de telas, sobretudo em crianças menores de 2 anos, também está relacionado a atrasos no desenvolvimento visual e motor, dificultando a estimulação adequada do sistema visual.

 

Quanto tempo de tela é considerado excessivo?

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) é clara:

  • Crianças de 0 a 2 anos: nenhum tempo de tela.
  • De 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia, com supervisão.
  • De 6 a 10 anos: até 2 horas por dia, com intervalos e estímulo à atividade física e ao ar livre.

Exceder esses limites pode comprometer não apenas a visão, mas também o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.

 

Como prevenir a miopia em crianças?

Embora fatores genéticos desempenhem um papel importante no surgimento da miopia, os fatores ambientais — especialmente o tempo de tela e a exposição à luz natural — também são determinantes.

Confira algumas medidas preventivas recomendadas por especialistas:

  • Reduza o tempo de tela e limite o uso de dispositivos eletrônicos, especialmente à noite.
  • Incentive brincadeiras ao ar livre: pelo menos 1h30 por dia de luz natural ajuda a retardar a progressão da miopia.
  • Adote a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhe para algo a 20 pés (cerca de 6 metros) de distância por 20 segundos.
  • Mantenha distância adequada dos olhos à tela (ao menos 30 cm de tablets e celulares).
  • Realize exames oftalmológicos regulares, mesmo que a criança não apresente sintomas.

 

Quando levar a criança ao oftalmologista?

É recomendável que o primeiro exame oftalmológico seja feito ainda no primeiro ano de vida. Após isso, deve-se manter o acompanhamento anual ou conforme orientação médica, principalmente se a criança apresentar:

  • Dificuldade para enxergar de longe (como o quadro escolar);
  • Dores de cabeça frequentes;
  • Sensação de cansaço visual;
  • Aproximação excessiva de livros ou telas;
  • Histórico familiar de miopia.

 

Considerações éticas  e orientações finais

É importante reforçar que cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico oftalmologista. Nenhum conteúdo online substitui a consulta presencial e o acompanhamento adequado.

Evite buscar soluções milagrosas ou tratamentos não comprovados. A prevenção da miopia infantil depende de hábitos saudáveis, vigilância parental e acompanhamento especializado.

 

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Dra. Patrícia Fernandes

Oftalmologista (CRM: 8986 – RQE: 4130) – Cuidando da sua visão com segurança e excelência em Catalão/GO.

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